E vem terminando o ano do jubileu de prata! Hora de planejar os próximos 25 anos, e caminhar rumo ao jubileu de ouro. 26 anos, numa segunda-feira de Carnaval (depois de onze anos aniversario numa segunda-feira - bom que ela é de carnaval, hehe!).
O aniversário traz diferentes emoções ao ser humano: alegria seria a principal resposta, mas o que tem de gente que odeia, despreza ou fica triste no próprio aniversário...
Há algumas semanas, ao comentar da proximidade do aniversário de uma amiga, essa comentou da repulsa que sente para com o próprio aniversário. Detesta comemorações e presentes, insistiu em afirmar que era só mais um dia comum. Ela não foi a primeira: outros amigos meus fazem questão de esconder a data do aniversário, para simplesmente "passar batido". Outras pessoas escondem não o aniversário, mas a idade. Ano passado, ao cumprimentar uma pessoa por seu aniversário, essa quase me pede os pêsames ao invés dos parabéns. A desculpa? É a idade, necessidade de comprar cosméticos pra disfarçar, ter que pintar o cabelo e coisa e tal... Medo de envelhecer, medo aliás da própria palavra "envelhecer".
E ainda a capa de certa revista científica já conhecida por seu exagerado - e desconfiável - sensacionalismo fala dos planos para o surgimento do "homem imortal". Isso mesmo: um ser humano imperecível a doenças e à idade. Quase não pude controlar o riso ao ver a revista, na banca. Riso para não chorar.
A data em que se coloca mais um ano de vida em nossa conta não pode ser sufocada pelo amor-próprio. Muitos dos que criam caso com a data de aniversário ou com a idade na verdade estão sendo muito mais orgulhosos que muitas pessoas que curtem o dia de aniversário ou o recebem bem. A verdadeira humildade do aniversário está em "deixar-se querer". Se você foi lá e prestigiou seu amigo no aniversário dele, se deixou um scrap carinhoso, deu um pequeno presente para mostrar seu carinho, chegou sua vez. Hora de você deixar seus amigos mostrarem para contigo o mesmo carinho que você teve para com o aniversário dele. Mostrar antipatia para com o próprio aniversário ou para com o fato de ser lembrado é atentar contra essa caridade que tanto dá sentido a que o dia do aniversário seja diferenciado dos outros 364 dias do ano. Esse tipo de atitude (não deixar-se querer) revela um orgulho escondido, mais dramático do que novela mexicana. Em certo filme (não lembro o nome), havia a história de uma moça que se escondeu em sua casa no dia do aniversário. Não arredou pé, não atendeu campainha nem telefone. Já de noite, na hora de deitar, teve um acesso de choro: "ninguém se lembrou de mim!". Ridículo orgulho, não?
O aniversário, portanto, é um dia onde a caridade recebe um "up" de nossa parte, mas principalmente dos outros, nossos amigos. Esse dia nos mostra com maior força que os outros que não estamos sozinhos, que tem gente que curte a gente aos montes e que não nos esquece. Recebemos um "up" de bom humor, de simpatia, de beijos e abraços. Nossas forças redobram, o trabalho fica mais agradável, assim como o dia: até um ônibus atrasado ou uma chuva de final de tarde vira motivo de riso. É um tipo de força da qual o homem não pode nem deve abrir mão, e que dá uma quebrada fundamental no ritmo louco de nossas vidas. Queiram ou não, o homem necessita robustecer o estado de espírito para restabelecer sua força psíquica e mesmo física, e são dias como o dia de aniversário onde essa força vem em doses cavalares.
Aniversariantes (cada um tem seu "dies natalis"): deixem-te querer. Chutem o medo ou o desprezo pra lá, e saiam pro abraço, sem cair na ladainha de que quanto maior o número maiores os motivos para esconder a idade. Digam-na, sem pestanejar: 26, 33, 49, 80. A idade não é a representação de um estado de espírito: quem tem a alma jovem se diverte ao ver um novo número chegar, e diz para si: "que venham os próximos!".
Mas esse é um tema para ser tratado na crônica dos 27 anos, hehe!
São Paulo, 09 a 15/02/2010. W.E.M.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Crônica - Ano III - Nº 115 - "Ousadia"
É lamentável que, no perfil pessoal do Orkut, no campo"o que me atrai" não exista a possibilidade de escolher a palavra ousadia. Uma virtude para a qual eu tiro o chapéu.
Semana passada foi lançado o IPad, uma espécie de prancheta virtual, com os maiores avanços que se possa imaginar na tecnologia. Outro time foi lá e contratou um jogador de renome. O que essas situações têm em comum? A ousadia, que nada mais é do que agir sem medo de arriscar-se.
Em conversa com um amigo meu essa semana, saiu o tema das pirâmides do Egito e das vigas gigantescas que cortam as serras da Via Anchieta. Obras monstruosas, inconcebíveis: ficamos imaginando como deve ter sido a reação dos leigos no assunto ao ver a planta de construção ou o projeto inicial dessas obras: uma risada estridente ou uma incredulidade. Mas as obras saíram, estão de pé, colossais, e tudo graças à ousadia dos responsáveis pela construção: eles foram lá, arregaçaram as mangas, suaram a camisa, trabalharam e puseram gente para trabalhar e foram construindo... até chegar no resultado final. Foram ousados, isto é, foram além do que estava na planta.
Mas a ousadia não é uma virtude somente aplicável na construção civil. Li certa vez que os principais times da Europa tem dívidas trilionárias, por arriscar o patrimônio em prol dos títulos do time. Nesta semana, muitos vestibulandos vão pular de alegria por ver seu nome na lista de aprovados da FUVEST: arriscaram os estudos na profissão escolhida, jogaram as fichas em seu futuro. Outra pessoa jogou suas fichas num num namoro ou casamento, num emprego novo, num investimento imobiliário. Arriscaram, eis a ousadia. As pessoas ousadas não ficam à mercê de limites como distâncias, dificuldades financeiras, doenças ou estados de espírito. Arriscam, põe a cara pra bater. Sabem das dificuldades, mas ao invés de baixar a cabeça e ficarem quietos, olham selvagemente nos olhos da dificuldade e a encaram, tal qual dois boxeadores frente a frente. Conta com os riscos, mas age ciente de que o retorno vai ser muito maior, tal qual os times europeus o fizeram, no caso narrado mais acima.
Difícil pensar num mundo que não tivesse sido construído por gente ousada. Olhando em volta, muitos dos inventos (inclusive esse computador) saiu de planos de homens ousados. Os arranha-céus, o sonho de voar ou atingir o pico mais alto... superação de limites. Tenho em casa uma prova viva de ousadia: meu pai e minha mãe. Por ousadia pura, foi lá meu pai e paquerou minha mãe, em 1981. Por ousadia pura, foram lá, noivaram e se casaram. Já pensou se não tivesse ousadia nessa receita? O humilde digitador dessa crônica (e essa crônica e as outras) sequer existiria. Olhe bem para seu dia e você verá que ele foi construído por milhares de atos de ousadia.
Claro que a ousadia verdadeira vem de mãos dadas com a prudência: ir à luta sem conhecer o terreno adversário é loucura, não ousadia. Também é claro que muita "gente ousada" foi responsável pela criação de artefatos daninhos para a humanidade, bem como modos de agir e pensar totalmente inconsequentes e indefensáveis. O próprio diabo é ousado: não tem medo de lançar armadilhas para o ser humano tropeçar. Entretanto, o homem de boa ousadia é experiente: mapeia os riscos, detecta e extirpa os males que podem porvir do ato de ousadia, e age. Como num jogo de truco, onde se um pede truco, outro pede três, outro seis, outro nove. Ousar é agir, mas nunca agir para promover um malefício ou de maneira insensata, sem pensar. Respectivamente isso não seria ousadia, mas sim crime e imprudência.
Você tem sonhos? Tem um desejo no fundo do coração? É um empreendimento que vai dar retorno? Vai lá, aja! Ouse. Não espere a banda passar, ou que um "pilantra" (na verdade um esperto, se pensarmos bem) te passe a perna e ponha a obra em ação antes de você. E se no projeto houver dificuldades, repita o título de certa comunidade que conheci essa semana: "é difícil, mas eu quero". Um título pra lá de ousado.
São Paulo, 01/02/2010. W.E.M.
Semana passada foi lançado o IPad, uma espécie de prancheta virtual, com os maiores avanços que se possa imaginar na tecnologia. Outro time foi lá e contratou um jogador de renome. O que essas situações têm em comum? A ousadia, que nada mais é do que agir sem medo de arriscar-se.
Em conversa com um amigo meu essa semana, saiu o tema das pirâmides do Egito e das vigas gigantescas que cortam as serras da Via Anchieta. Obras monstruosas, inconcebíveis: ficamos imaginando como deve ter sido a reação dos leigos no assunto ao ver a planta de construção ou o projeto inicial dessas obras: uma risada estridente ou uma incredulidade. Mas as obras saíram, estão de pé, colossais, e tudo graças à ousadia dos responsáveis pela construção: eles foram lá, arregaçaram as mangas, suaram a camisa, trabalharam e puseram gente para trabalhar e foram construindo... até chegar no resultado final. Foram ousados, isto é, foram além do que estava na planta.
Mas a ousadia não é uma virtude somente aplicável na construção civil. Li certa vez que os principais times da Europa tem dívidas trilionárias, por arriscar o patrimônio em prol dos títulos do time. Nesta semana, muitos vestibulandos vão pular de alegria por ver seu nome na lista de aprovados da FUVEST: arriscaram os estudos na profissão escolhida, jogaram as fichas em seu futuro. Outra pessoa jogou suas fichas num num namoro ou casamento, num emprego novo, num investimento imobiliário. Arriscaram, eis a ousadia. As pessoas ousadas não ficam à mercê de limites como distâncias, dificuldades financeiras, doenças ou estados de espírito. Arriscam, põe a cara pra bater. Sabem das dificuldades, mas ao invés de baixar a cabeça e ficarem quietos, olham selvagemente nos olhos da dificuldade e a encaram, tal qual dois boxeadores frente a frente. Conta com os riscos, mas age ciente de que o retorno vai ser muito maior, tal qual os times europeus o fizeram, no caso narrado mais acima.
Difícil pensar num mundo que não tivesse sido construído por gente ousada. Olhando em volta, muitos dos inventos (inclusive esse computador) saiu de planos de homens ousados. Os arranha-céus, o sonho de voar ou atingir o pico mais alto... superação de limites. Tenho em casa uma prova viva de ousadia: meu pai e minha mãe. Por ousadia pura, foi lá meu pai e paquerou minha mãe, em 1981. Por ousadia pura, foram lá, noivaram e se casaram. Já pensou se não tivesse ousadia nessa receita? O humilde digitador dessa crônica (e essa crônica e as outras) sequer existiria. Olhe bem para seu dia e você verá que ele foi construído por milhares de atos de ousadia.
Claro que a ousadia verdadeira vem de mãos dadas com a prudência: ir à luta sem conhecer o terreno adversário é loucura, não ousadia. Também é claro que muita "gente ousada" foi responsável pela criação de artefatos daninhos para a humanidade, bem como modos de agir e pensar totalmente inconsequentes e indefensáveis. O próprio diabo é ousado: não tem medo de lançar armadilhas para o ser humano tropeçar. Entretanto, o homem de boa ousadia é experiente: mapeia os riscos, detecta e extirpa os males que podem porvir do ato de ousadia, e age. Como num jogo de truco, onde se um pede truco, outro pede três, outro seis, outro nove. Ousar é agir, mas nunca agir para promover um malefício ou de maneira insensata, sem pensar. Respectivamente isso não seria ousadia, mas sim crime e imprudência.
Você tem sonhos? Tem um desejo no fundo do coração? É um empreendimento que vai dar retorno? Vai lá, aja! Ouse. Não espere a banda passar, ou que um "pilantra" (na verdade um esperto, se pensarmos bem) te passe a perna e ponha a obra em ação antes de você. E se no projeto houver dificuldades, repita o título de certa comunidade que conheci essa semana: "é difícil, mas eu quero". Um título pra lá de ousado.
São Paulo, 01/02/2010. W.E.M.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Crônica - Ano III - Nº 114 - "O paulistano"
Esta crônica é feita em homenagem à metrópole pela qual sou apaixonado, tarado, onde sempre quero viver, e que completa "só" 456 anos: Sampa! Difícil é escolher uma temática para falar este ano sobre Sampa. O amor e ódio que ela desperta? O seu tamanho quase"infinito"? Os seus recantos escondidos e sei-lá-quantos outros temas compatíveis com a cidade?
Resolvi então falar sobre justamente os que construíram a grandeza que a cidade ostenta, e que continuam assim fazendo, dia após dia: os paulistanos (eu sou um deles, hehe)! Recentemente, no MSN, conversei com amigas que falavam sobre o jeito do paulistano. Soltaram várias: soberbo, presunçoso, fechado, apressado, estressado, que acha que o que está fora de Sampa é interior, e por aí vai. Quero, então, levantar um pouco do que é o paulistano como "direito de resposta".
O paulistano é apressado, mas devido aos compromissos. Eles não faltam na agenda de um paulistano. Desconfie se ouvir um deles dizer que está sem nada pra fazer, ou no tédio: seja por causa do trabalho, seja por um lazer ou uma pequena tarefa, o paulistano está em ação. Pode ser que ele tenha outros quatro compromissos ao mesmo tempo que o que está tendo contigo agora, mas tenha a certeza de que ele vai valorizá-lo da mesma forma que os outros (não é comum o paulistano recusar um compromisso).
Outra coisa diz respeito ao comportamento do paulistano: ele não é um ser fechado, antipático, que anda de cara amarrada e não diz "por favor" e "obrigado". Pelo contrário: é uma pessoa aberta, culta, repleto de informações e assuntos agradáveis e úteis. Sorri e sabe tirar uma onda com a contrariedade: hoje mesmo, voltando para casa, estava num ponto de ônibus onde as pessoas reclamavam do atraso de uma hora do dito cujo. Mas sem arrancar os cabelos: um brincando que a comida esfriou, outra no celular contando um fato engraçado no serviço para a amiga, outros dois falando dos jogos do Paulistão 2010... E dentro do ônibus, sorrisos e brincadeiras para motorista e cobrador. Certa revista fez uma enquete falando sobre a boa educação e solidariedade do paulistano: 8 em cada 10 emprestaram o celular a uma pessoa desconhecida de uma equipe de reportagem e 9 em cada 10 pararam para atender um pedido de informações.
Os paulistanos saem pra balada, jogam conversa fora, batem uma bola, fazem esportes e vivem a cidade. Cada dia tem na ponta da língua um point ou atração nova, mas sem perder de vista o ganha-pão de cada dia: o paulistano é muito sério no quesito trabalho, é peão mesmo. E essa seriedade acaba transparecendo para seu semblante e comportamento, daí a impressão de antipatia e altivez. Não é por aí: seriedade é muito diferente de antipatia e estresse. O paulistano é muito sério, daí o fato de não iniciar uma conversa com um estranho sem pensar no porquê dela. Mas, passado o primeiro contato, só alegria: o bate-papo transcorre de maneira descontraída, e você será convidado para o happy-hour de sexta, com certeza!
Por fim: paulistano de verdade não menospreza as pessoas de outros locais do Brasil e do mundo. O paulistano sabe que a grandeza da cidade foi erguida por mãos paulistanas, inglesas, portuguesas, italianas, bolivianas, coreanas, nordestinas, do interior de São Paulo, cariocas, mineiras, gaúchas... Hoje, temos mais de dez milhões de paulistanos, cada um com uma origem: Pernambuco, Ceará, Curitiba, São José do Rio Preto, Assunción, Roma, Tóquio... Um paulistano legítimo sabe que seu sangue passa por diversas culturas: não há no país um povo tão cosmopolita como o paulistano.
Eis o paulistano. Por trás da sisudez, uma pessoa de braços abertos para tudo e todos. Se você detectou um pouquinho dessas características em si, bem-vindo, pois você mostrou que é do time dos paulistanos: um time que aceita e é composto por "jogadores" de todas as partes do planeta. Fica o convite para descobrir esse paulistano legítimo dentro de você, ou nesse que está ao seu lado. Bora descobri-lo?
São Paulo, 25/01/2010. W.E.M.
Resolvi então falar sobre justamente os que construíram a grandeza que a cidade ostenta, e que continuam assim fazendo, dia após dia: os paulistanos (eu sou um deles, hehe)! Recentemente, no MSN, conversei com amigas que falavam sobre o jeito do paulistano. Soltaram várias: soberbo, presunçoso, fechado, apressado, estressado, que acha que o que está fora de Sampa é interior, e por aí vai. Quero, então, levantar um pouco do que é o paulistano como "direito de resposta".
O paulistano é apressado, mas devido aos compromissos. Eles não faltam na agenda de um paulistano. Desconfie se ouvir um deles dizer que está sem nada pra fazer, ou no tédio: seja por causa do trabalho, seja por um lazer ou uma pequena tarefa, o paulistano está em ação. Pode ser que ele tenha outros quatro compromissos ao mesmo tempo que o que está tendo contigo agora, mas tenha a certeza de que ele vai valorizá-lo da mesma forma que os outros (não é comum o paulistano recusar um compromisso).
Outra coisa diz respeito ao comportamento do paulistano: ele não é um ser fechado, antipático, que anda de cara amarrada e não diz "por favor" e "obrigado". Pelo contrário: é uma pessoa aberta, culta, repleto de informações e assuntos agradáveis e úteis. Sorri e sabe tirar uma onda com a contrariedade: hoje mesmo, voltando para casa, estava num ponto de ônibus onde as pessoas reclamavam do atraso de uma hora do dito cujo. Mas sem arrancar os cabelos: um brincando que a comida esfriou, outra no celular contando um fato engraçado no serviço para a amiga, outros dois falando dos jogos do Paulistão 2010... E dentro do ônibus, sorrisos e brincadeiras para motorista e cobrador. Certa revista fez uma enquete falando sobre a boa educação e solidariedade do paulistano: 8 em cada 10 emprestaram o celular a uma pessoa desconhecida de uma equipe de reportagem e 9 em cada 10 pararam para atender um pedido de informações.
Os paulistanos saem pra balada, jogam conversa fora, batem uma bola, fazem esportes e vivem a cidade. Cada dia tem na ponta da língua um point ou atração nova, mas sem perder de vista o ganha-pão de cada dia: o paulistano é muito sério no quesito trabalho, é peão mesmo. E essa seriedade acaba transparecendo para seu semblante e comportamento, daí a impressão de antipatia e altivez. Não é por aí: seriedade é muito diferente de antipatia e estresse. O paulistano é muito sério, daí o fato de não iniciar uma conversa com um estranho sem pensar no porquê dela. Mas, passado o primeiro contato, só alegria: o bate-papo transcorre de maneira descontraída, e você será convidado para o happy-hour de sexta, com certeza!
Por fim: paulistano de verdade não menospreza as pessoas de outros locais do Brasil e do mundo. O paulistano sabe que a grandeza da cidade foi erguida por mãos paulistanas, inglesas, portuguesas, italianas, bolivianas, coreanas, nordestinas, do interior de São Paulo, cariocas, mineiras, gaúchas... Hoje, temos mais de dez milhões de paulistanos, cada um com uma origem: Pernambuco, Ceará, Curitiba, São José do Rio Preto, Assunción, Roma, Tóquio... Um paulistano legítimo sabe que seu sangue passa por diversas culturas: não há no país um povo tão cosmopolita como o paulistano.
Eis o paulistano. Por trás da sisudez, uma pessoa de braços abertos para tudo e todos. Se você detectou um pouquinho dessas características em si, bem-vindo, pois você mostrou que é do time dos paulistanos: um time que aceita e é composto por "jogadores" de todas as partes do planeta. Fica o convite para descobrir esse paulistano legítimo dentro de você, ou nesse que está ao seu lado. Bora descobri-lo?
São Paulo, 25/01/2010. W.E.M.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Crônica - Ano III - Nº 113 - "O Haiti daqui"
A semana começou com um acontecimento que deixou o Brasil e o mundo abalados: o terremoto no paupérrimo Haiti deixou mais de cem mil mortos e milhões de feridos. O país ficou aos pedaços.
Ao mesmo tempo, todos nós ficamos abalados, como se um pouco da gente estivesse embaixo dos escombros, num misto de impotência e vontade de ajudar, e um agradecimento do fundo do coração aos céus por não estar passando por uma situação tão dramática. Muitos irão pensar duas vezes antes de reclamar da vida ou dos caprichos, ao trazer à mente a cena do caos instalado naquele país. No meio disso tudo, uma indagação: o que posso fazer pelo Haiti? Como vencer a impotência e tristeza com a situação do mundo? Como posso fazer a diferença, tal qual algumas pessoas que foram vítimas da tragédia?
Para responder à questão, coloquemos os pés-no-chão. Também no início do ano, vimos em nosso próprio quintal os desastres de Angra e São Luís. Anualmente, na Retrospectiva, não faltam desastres no Brasil e no mundo que nos trazem sentimentos semelhantes aos aflorados nessa semana. Temos roupa suja para lavar em nosso quintal: nessa semana, lendo o jornal, vi que uma famosa cantora, ao comentar sobre o acontecido no Haiti, polemizou via Twitter: "é importante não esquecer do Haiti que temos aqui em nossa terra natal". Concordo com ela em gênero, número e grau. Muitos, numa atitude de "solidariedade", irão somente olhar para os problemas a serem sanados naquele país, e simplesmente esquecer dos que devem ser sanados aqui. Irão chorar com os desabamentos de lá, e ficar indiferentes com as mutretas e desastres daqui. Temos um imenso Haiti para ser resolvido em nossa pátria, e resolvendo o daqui teremos mais propriedade para ajudar de forma mais consistente o legítimo.
Outra atitude fundamental é não cair na "solidariedade de temporada", de pessoas que só param para olhar o próximo ao se deparar com a notícia de uma tragédia no jornal, e vão correndo assinar um cheque donativo de sei-lá-quantos reais para ficar de bem consigo mesma. Logo depois, esses mesmos indivíduos voltarão para o conforto de suas trapaças, do ódio familiar, da traição à esposa ou esposo, da frieza. Do que irão adiantar milhões de reais doados, quando não se cultiva à volta um ambiente de fraternidade, de esperança, de solidariedade com os mais próximos? A legítima solidariedade não aparece somente em temporadas de desastres ou de Criança Esperança: ela aparece logo ao nascer do sol, quando damos um bom dia para a primeira pessoa com que nos deparamos. Do contrário, se somos daqueles que mandam donativos para longe e bananas e xingamentos para os que estão mais próximos, estaremos assinando não um atestado de solidariedade, mas de egoísmo e hipocrisia.
As pessoas que fazem a diferença nessa terra de cá sabem das atitudes mencionadas acima. Olham para os problemas do Longistão, mas priorizam os que estão a seu alcance. Não caem em filantropia de esquina, antes se doam com gestos e ações ao primeiro que veem pela frente. E tem mais: além de trabalhar em silêncio, sem esperar medalhinhas, estão cientes de que a diferença é feita diariamente. É uma lição que tomamos para nós: podemos fazer um mundo muito melhor no ambiente em que vivemos. Cada um fazendo a parte que lhe foi incumbida: sendo um bom estudante, profissional, filho/pai/mãe/irmão. Sendo um amigo de primeira, um namorado (a) fiel, enfim... fazendo a diferença onde estivermos. Se o mundo chora a desigualdade em todos os âmbitos, é justamente pelo fato de ainda existirem pessoas que querem fazer a diferença... para pior. Já parou pra pensar o que seria o mundo se cada um fizesse com maestria a sua parte de bem incumbida? Misérias como as vistas no Haiti seriam riscadas do mapa.
Que a brasa de nosso coração não se apague quando as notícias do Haiti sumirem dos jornais. O Haiti, aliás, os "haitis" estão também ao nosso redor, cobrando que nós façamos a diferença durante os 365 dias do ano.
São Paulo, 18/01/2010. W.E.M.
Ao mesmo tempo, todos nós ficamos abalados, como se um pouco da gente estivesse embaixo dos escombros, num misto de impotência e vontade de ajudar, e um agradecimento do fundo do coração aos céus por não estar passando por uma situação tão dramática. Muitos irão pensar duas vezes antes de reclamar da vida ou dos caprichos, ao trazer à mente a cena do caos instalado naquele país. No meio disso tudo, uma indagação: o que posso fazer pelo Haiti? Como vencer a impotência e tristeza com a situação do mundo? Como posso fazer a diferença, tal qual algumas pessoas que foram vítimas da tragédia?
Para responder à questão, coloquemos os pés-no-chão. Também no início do ano, vimos em nosso próprio quintal os desastres de Angra e São Luís. Anualmente, na Retrospectiva, não faltam desastres no Brasil e no mundo que nos trazem sentimentos semelhantes aos aflorados nessa semana. Temos roupa suja para lavar em nosso quintal: nessa semana, lendo o jornal, vi que uma famosa cantora, ao comentar sobre o acontecido no Haiti, polemizou via Twitter: "é importante não esquecer do Haiti que temos aqui em nossa terra natal". Concordo com ela em gênero, número e grau. Muitos, numa atitude de "solidariedade", irão somente olhar para os problemas a serem sanados naquele país, e simplesmente esquecer dos que devem ser sanados aqui. Irão chorar com os desabamentos de lá, e ficar indiferentes com as mutretas e desastres daqui. Temos um imenso Haiti para ser resolvido em nossa pátria, e resolvendo o daqui teremos mais propriedade para ajudar de forma mais consistente o legítimo.
Outra atitude fundamental é não cair na "solidariedade de temporada", de pessoas que só param para olhar o próximo ao se deparar com a notícia de uma tragédia no jornal, e vão correndo assinar um cheque donativo de sei-lá-quantos reais para ficar de bem consigo mesma. Logo depois, esses mesmos indivíduos voltarão para o conforto de suas trapaças, do ódio familiar, da traição à esposa ou esposo, da frieza. Do que irão adiantar milhões de reais doados, quando não se cultiva à volta um ambiente de fraternidade, de esperança, de solidariedade com os mais próximos? A legítima solidariedade não aparece somente em temporadas de desastres ou de Criança Esperança: ela aparece logo ao nascer do sol, quando damos um bom dia para a primeira pessoa com que nos deparamos. Do contrário, se somos daqueles que mandam donativos para longe e bananas e xingamentos para os que estão mais próximos, estaremos assinando não um atestado de solidariedade, mas de egoísmo e hipocrisia.
As pessoas que fazem a diferença nessa terra de cá sabem das atitudes mencionadas acima. Olham para os problemas do Longistão, mas priorizam os que estão a seu alcance. Não caem em filantropia de esquina, antes se doam com gestos e ações ao primeiro que veem pela frente. E tem mais: além de trabalhar em silêncio, sem esperar medalhinhas, estão cientes de que a diferença é feita diariamente. É uma lição que tomamos para nós: podemos fazer um mundo muito melhor no ambiente em que vivemos. Cada um fazendo a parte que lhe foi incumbida: sendo um bom estudante, profissional, filho/pai/mãe/irmão. Sendo um amigo de primeira, um namorado (a) fiel, enfim... fazendo a diferença onde estivermos. Se o mundo chora a desigualdade em todos os âmbitos, é justamente pelo fato de ainda existirem pessoas que querem fazer a diferença... para pior. Já parou pra pensar o que seria o mundo se cada um fizesse com maestria a sua parte de bem incumbida? Misérias como as vistas no Haiti seriam riscadas do mapa.
Que a brasa de nosso coração não se apague quando as notícias do Haiti sumirem dos jornais. O Haiti, aliás, os "haitis" estão também ao nosso redor, cobrando que nós façamos a diferença durante os 365 dias do ano.
São Paulo, 18/01/2010. W.E.M.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Crônica - Ano III - Nº 112 - "Pés-no-chão"
O ano veio com tudo. Ainda ajustando a casa, fazendo aquela faxina, fechando o trabalho para o ano de 2010 (professor, claro!)... Janeiro é um mês bacana pra isso!
Muitos sonhos, mas ao mesmo tempo... com pés-no-chão. Fundamental para que os sonhos saiam do papel.
Uma anedota que trago à mente para ilustrar a situação é a do homem apaixonado, que dia e noite sonhava com sua amada. Certo dia ele resolveu tomar coragem, e começou a escrever cartinhas para sua amada. Escreveu uma, duas, quatro, dez, cinquenta... Poucas ou nenhuma resposta. Assim, ele se levantou de sua escrivaninha e resolveu ir procurar sua amada pessoalmente. Assim que chegou ao endereço dela, o rapaz não a encontrou. Resolveu, então, procurar a vizinha e perguntar de seu paradeiro: "ela se casou. Casou com o carteiro que todo dia aparecia para lhe entregar umas cartinhas". Pobre rapaz... ficou nos sonhos e quem venceu na prática foi o humilde carteiro...
A historinha acima mostra bem o cuidado que temos de ter com os nossos sonhos, para que não virem devaneios. Sonhar é muito bom, alimenta nosso futuro e nosso dia, nos instiga para nossos desafios! Porém quando só ficamos nos sonhos, e não colocamos mãos à obra, podemos ter o destino do rapazinho da anedota acima: ser vencido pelos "carteiros" da vida.
Topar com a realidade nos permite em diversas oportunidades livrarmo-nos de quebrar a cara. Ter pés-no-chão é digno do homem prudente: ele vê onde estão os buracos para não cair, onde estão seus pontos fracos, quais os próximos passos a serem tomados. Ele vai pra cima, alimenta seus sonhos, mas não de maneira imprudente, sem planejar. No último final de ano, corri a São Silvestre pela terceira vez seguida: mais uma vez, os quenianos dominaram a prova. Vi uma entrevista com um deles onde o mesmo dizia: "sonho com o pódio, mas só na hora da corrida é que vamos ver". Ele ficou entre os cinco melhores. Sonhou, mas literalmente "correu atrás", não ficou devaneando com o pódio, deixando-o virar uma utopia.
É muito legal ver vários amigos meus, terminados os estudos na geografia, correrem atrás de seus sonhos e materializá-los (ou pelo menos, estarem correndo para tal). Alguns passaram em concursos, outros entraram para um trabalho em uma empresa bacana, outros estão lançando seus currículos, outros caminham para a pós-graduação... No final do ano passado, pude testemunhar as lágrimas de uma amiga minha ao receber seu certificado de conclusão. Ela me disse: "esse é o resultado de anos de luta, um sonho realizado". Pôr um sonho em prática significa sua construção tijolo a tijolo. Os empresários não fazem grandes negócios na "mão beijada": tem reuniões, ficam dependurados no celular; tampouco um engenheiro fica babando na frente da planta do prédio almejado: ele vai lá, põe o capacete e trabalha. Assim deve ser conosco: temos sonhos? Ótimo, mãos à obra! Com o que temos e somos, mas mãos à obra, o que mostra o nosso espírito de pés-no-chão.
Poderia aqui falar de vários sonhos meus e de pessoas com que tive oportunidade de conversar. Aplaudo todos, desde que acompanhados dos devidos meios para serem reais, seja de forma mais lenta e gradual, seja por uma grande força de vontade que arrase quarteirões, ciente dos obstáculos e revezes que podem pintar, para ambos os casos. Você, leitor ou leitora: sei que tem um grande sonho, um alvo a ser atingido. Vá em frente, atropele os obstáculos, conquiste esse seu grande desejo. Saia daqui a pouco da frente do micro (ou fique na frente dele, se isso fizer parte do script) meticulando a próxima cartada para a conquista. Lembrando sempre: com pés-no-chão. Sonhar sem ter pés-no-chão é inviabilizar a concretização dos maiores desejos. Olhe ao redor, veja os obstáculos e a realidade e pule por cima (de maneira lícita, claro - passar a perna no vizinho não vale).
Dessa forma, deixaremos o carteiro da história a ver navios, mudando seu final: os sonhadores - com pés-no-chão - é que levarão a melhor!
São Paulo, 12/01/2010. W.E.M.
Muitos sonhos, mas ao mesmo tempo... com pés-no-chão. Fundamental para que os sonhos saiam do papel.
Uma anedota que trago à mente para ilustrar a situação é a do homem apaixonado, que dia e noite sonhava com sua amada. Certo dia ele resolveu tomar coragem, e começou a escrever cartinhas para sua amada. Escreveu uma, duas, quatro, dez, cinquenta... Poucas ou nenhuma resposta. Assim, ele se levantou de sua escrivaninha e resolveu ir procurar sua amada pessoalmente. Assim que chegou ao endereço dela, o rapaz não a encontrou. Resolveu, então, procurar a vizinha e perguntar de seu paradeiro: "ela se casou. Casou com o carteiro que todo dia aparecia para lhe entregar umas cartinhas". Pobre rapaz... ficou nos sonhos e quem venceu na prática foi o humilde carteiro...
A historinha acima mostra bem o cuidado que temos de ter com os nossos sonhos, para que não virem devaneios. Sonhar é muito bom, alimenta nosso futuro e nosso dia, nos instiga para nossos desafios! Porém quando só ficamos nos sonhos, e não colocamos mãos à obra, podemos ter o destino do rapazinho da anedota acima: ser vencido pelos "carteiros" da vida.
Topar com a realidade nos permite em diversas oportunidades livrarmo-nos de quebrar a cara. Ter pés-no-chão é digno do homem prudente: ele vê onde estão os buracos para não cair, onde estão seus pontos fracos, quais os próximos passos a serem tomados. Ele vai pra cima, alimenta seus sonhos, mas não de maneira imprudente, sem planejar. No último final de ano, corri a São Silvestre pela terceira vez seguida: mais uma vez, os quenianos dominaram a prova. Vi uma entrevista com um deles onde o mesmo dizia: "sonho com o pódio, mas só na hora da corrida é que vamos ver". Ele ficou entre os cinco melhores. Sonhou, mas literalmente "correu atrás", não ficou devaneando com o pódio, deixando-o virar uma utopia.
É muito legal ver vários amigos meus, terminados os estudos na geografia, correrem atrás de seus sonhos e materializá-los (ou pelo menos, estarem correndo para tal). Alguns passaram em concursos, outros entraram para um trabalho em uma empresa bacana, outros estão lançando seus currículos, outros caminham para a pós-graduação... No final do ano passado, pude testemunhar as lágrimas de uma amiga minha ao receber seu certificado de conclusão. Ela me disse: "esse é o resultado de anos de luta, um sonho realizado". Pôr um sonho em prática significa sua construção tijolo a tijolo. Os empresários não fazem grandes negócios na "mão beijada": tem reuniões, ficam dependurados no celular; tampouco um engenheiro fica babando na frente da planta do prédio almejado: ele vai lá, põe o capacete e trabalha. Assim deve ser conosco: temos sonhos? Ótimo, mãos à obra! Com o que temos e somos, mas mãos à obra, o que mostra o nosso espírito de pés-no-chão.
Poderia aqui falar de vários sonhos meus e de pessoas com que tive oportunidade de conversar. Aplaudo todos, desde que acompanhados dos devidos meios para serem reais, seja de forma mais lenta e gradual, seja por uma grande força de vontade que arrase quarteirões, ciente dos obstáculos e revezes que podem pintar, para ambos os casos. Você, leitor ou leitora: sei que tem um grande sonho, um alvo a ser atingido. Vá em frente, atropele os obstáculos, conquiste esse seu grande desejo. Saia daqui a pouco da frente do micro (ou fique na frente dele, se isso fizer parte do script) meticulando a próxima cartada para a conquista. Lembrando sempre: com pés-no-chão. Sonhar sem ter pés-no-chão é inviabilizar a concretização dos maiores desejos. Olhe ao redor, veja os obstáculos e a realidade e pule por cima (de maneira lícita, claro - passar a perna no vizinho não vale).
Dessa forma, deixaremos o carteiro da história a ver navios, mudando seu final: os sonhadores - com pés-no-chão - é que levarão a melhor!
São Paulo, 12/01/2010. W.E.M.
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