Entretanto, ainda falta um último desafio para este Julho. O local: Hospital Universitário. Dia: Sexta feira, 31/07. Horário: 10:00. Missão: uma cirurgia para a correção de uma hérnia inguinal. Não vou explicar aqui do que se trata, mas digo que é algo sussa, uma operação de uma horinha, a tal ponto que amigos meus já rodados na mesa de cirurgia e amigos médicos (o próprio médico que me atendeu) disseram que será "brincadeira de criança".
Logo, aproveito a ocasião para falar aqui da profissão que eu mais admiro, disparado entre todas as profissões: a profissão de médico. Uma profissão que, como costumo dizer, se bem exercida, mereceria o melhor salário possível.
Pra início de conversa, não tenho parentes médicos na família, e tenho contato com poucos amigos médicos. Nunca sonhei fazer Medicina, e detesto ter que fazer uma consulta em hospitais, clínicas e coisas do tipo. Entretanto, quando vejo alguém com um jaleco branco com a estampa de algum hospital ou faculdade, bate um respeito que beira a veneração. Pois ali está alguém que possui um dom especial nas mãos, que é o de salvar vidas, custe o que custar.
Em toda formatura de médicos recém-formados, há por tradição que todos façam um juramento, que data de milhares de séculos. É o Juramento de Hipócrates, onde os médicos em palavras solenes e duras, juram fazer o bem e preservar a vida por sua profissão e ações, a ponto de que, se não o fizerem, que o mal recaia sobre os próprios (convido-os a ler o texto integral). O texto do juramento mostra a carga de responsabilidade que atinge os médicos, independente de sua especialidade.
Os médicos devem conciliar a emoção com o sangue-frio, na hora de lidar com seus pacientes. Determinam sentenças positivas... ou mesmo de morte. Eles são o tipo de profissional que não possuem horários, pois salvar vidas não é uma profissão para ser exercida 8 horas por dia. Em certa reportagem que vi sobre alguém famoso que teve de fazer uma cirurgia de urgência, este fez questão de comentar: "comecei a sentir dores por volta das 2 da manhã. Não hesitei: liguei para meu médico, e ele veio correndo". Da mesma forma, o médico obstetra, que sai correndo madrugada afora para atender sua paciente cuja bolsa estourou... Ou os médicos que, nessa madrugada, estão dando seu plantão em algum desses hospitais.
Eles têm vidas em suas mãos, e uma carga de responsabilidade que talvez poucas ou nenhuma profissão tenha. A negligência ou um instante de desatenção pode custar não uma obra, ou um relatório... mas uma vida. Cada movimento e diagnóstico é estudado a ponto de, não à tôa, o curso de Medicina durar sete anos ou mais, sem contar a Residência Médica (período em que os profissionais dedicam-se a um hospital em tempo integral, para sua especialização), e não admitir amadores: a nota de corte passa dos 80 pontos, na USP.
Como em diversas profissões, infelizmente há médicos que não fazem jus às palavras de Hipócrates. Pensam somente no status e no dinheiro, e veem os pacientes como fardos, sendo que alguns matam por falsos diagnósticos, ou pelo aborto, por exemplo. Estes são, tenham certeza, os maiores charlatões da sociedade (ultrapassam os políticos corruptos), e com certeza têm espaço reservado no inferno que Dante tão bem retratou na "Divina Comédia", se não mudarem.
Já tive sérios problemas de saúde em minha infância: bronquite e pneumonia, hoje extintos, graças a Deus e aos médicos. Sexta tenho um encontro marcado com eles, mais uma vez. Com muita confiança, justa confiança.
Conto com a prece de todos, para o Médico estar junto de meu médico, e assim este último desafio de Julho ser facilmente vencido!
Vida longa aos bons médicos!
São Paulo, 27/07/2009. W.E.M.
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